Boris Casoy cometeu o incometível: falou a verdade em rede nacional e está sendo execrado por isso. Para os desatentos, em um vazamento de áudio, Boris disse sobre a imagem de dois lixeiros desejando feliz ano novo:
Que merda, dois lixeiros desejando feliz ano novo do alto de suas vassouras… O mais baixo na escala do trabalho…
Pronto, aí a patrulha do politicamente correto socialista caiu em cima. Falaram que era um absurdo, falaram que o trabalho dos garis é importantíssimo, falaram que ele é a cara da mídia burguesa, que ele tem ódio de classe, seja lá o que for exatamente isso. As esquerdas todas (a festiva, a militante, a histérica, a lulista, a ambientalista) aproveitaram a deixa pra pedir a cabeça do apresentador, identificado por elas como um homem de direita.
Acontece que os garis são realmente o ponto mais baixo da escala do trabalho (as más línguas sugerem os advogados, mas é discutível), afinal, nenhuma criança sonha em ser gari quando crescer, e “eu fico com a resposta das crianças”. Limpar as ruas é um trabalho difícil, pesado, executado sob o calor insano do sol tropical. Ninguém quer fazer. Quem tem uma qualificação um pouquinho melhor vai procurar um trabalho melhor.
A maioria das críticas feitas ao Boris faz uso do raciocínio de classes, que ignora a individualidade do ser humano e trata as pessoas como bois numa canga. Ninguém sabe quem é o cara que limpa a sua rua, mas “o trabalho dos garis é fundamental”. Esse é o tipo de atitude de quem chama a empregada doméstica com o irritante eufemismo “secretária”. A verdade é a seguinte: o fato de as ruas precisarem ser limpas não torna o trabalho de um gari qualquer mais importante que uma nota de 3 reais, até porque tão logo tenha oportunidade ou qualificação melhores, ele vai deixar esse trabalho.
Boris pediu desculpas no dia seguinte. Uma associação de garis de algum lugar não gostou, e disse que ele foi “muito formal”. Queriam o quê, que o cara chorasse?
PS: Já tinha escrito tudo isso quando achei esse texto da jornalista Barbara Gancia dizendo quase a mesma coisa, com termos mais precisos.
Mais um uso eficiente do estereótipo. É mais simples juntar todos os defensores dos lixeiros num mesmo pacote. E quem seriam o “mais alto” na escala de trabalho?
Priscila
janeiro 11th, 2010
E quem seriam (sic) o “mais alto” na escala de trabalho?
Dá para entender, mas é melhor corrigir, afinal de contas esse erro de concordância poderia me tornar analfabeta, não?
Bárbara Gância é uma grande decepção e você também.
Priscila
janeiro 11th, 2010
Se possível, leia: http://www.petitiononline.com/band0001
Manifesto contra Boris Casoy, escrito sem hipocrisia.
Leandro Henrique
janeiro 13th, 2010