Eu Não Entendo Nada

Um blog sobre nada que entendamos

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Localizados 30cm depois da tênue linha que separa a chatisse do non-sense, tentamos ser sérios, não apenas formais, e engraçados, não apenas idiotas. Meibe.

De cara, já vou explicar, não é pq meu time perdeu que vou escrever isto. Nem tão pouco pelo fato ocorrido ser com um jogador do meu time. É que tanto racismo quanto hipocrisia são coisas que me deixam tristes.

O fato ocorrido no jogo de ontem acabou sendo mais comentado do que a partida em si. É uma pena. Mas algo ainda precisa ser dito sobre este assunto.

Quem já jogou alguma partida de futebol (vale pelada com os amigos, solteiros contra casados ou até o antigo três-dentro-três-fora) sabe que se diz muita coisa dentro do campo. Xinga-se a mãe, o pai e até a irmã (Zidane x Materazzi). Se o Máxi López disse algo para o jogador do Cruzeiro?! Provavelmente. Se foi racismo?! Em minha opinião, não! E novamente, opino isto não por ser Gremista, mas por entender que as pessoas se ofendem quando interessa.

Máxi López

Tenho certeza que em algum momento da vida, algum amigo do Elicarlos chamou ele de “negrão” ou coisas do tipo. Aquela brincadeira, normalmente de mau gosto, mas praticada por quase todos. Certamente ele riu, achou graça e continuou brincando. Ontem, como era um jogo valendo coisa séria, foi mais fácil se ofender.

Mais uma vez, se o Máxi falou alguma coisa exagerada, deve, no mínimo se desculpar.

Agora, o que estou querendo dizer, é que as pessoas gostam de transformar as coisas. Racismo é uma coisa. Brincadeira de mau gosto, ou até a tal Injúria Qualificada, é outra. Racismo é proibir a entrada de negros em determinados lugares, como aconteceu com Muhammad Ali, que foi proibido de entrar em um bar dos EUA para comemorar uma medalha de ouro ganha em uma olimpíada. Racismo, é o que aconteceu em um jogo da NBA, quando um jogador (Patrick Ewing se eu não estiver errado… Ou pode ter sido o Malone…) se retirou da quadra quando Magic Johnson, portador do HIV, teve um pequeno corte, mesmo após o curativo. Citei dois exemplos acontecidos nos States quando poderia ter citado vários no Brasil.

O brasileiro é racista. Achamos lindo quando os americanos elegeram o Obama. “Um Negro no Poder”, era o que todos falavam. As pessoas exaltaram que “eles”, que são racistas, finalmente aprenderam. Mas e nós? Quantos presidentes de empresas negros existem no Brasil? Qual o % de conselheiros negros que existe no Inter? No Grêmio? No São Paulo? Nosso racismo é velado. Por isto, quando acontece um caso como o de ontem as pessoas enchem a boca pra falar de racismo. Os jornais publicam manchetes em negrito com o “Racismo no Futebol”.

Sinto meus amigos, mas isto não é racismo. É hipocrisia. Não aconteceu nada que não aconteça em todos os jogos, inclusive nas peladas entre amigos. Eu não me ofendo quando alguém me toca a bola e grita “corre gorducho”.

Julgar alguém pela cor da pele é uma bobagem. Ninguém é melhor por ser branco, preto ou amarelo. Homens ou mulheres. Gaúchos ou cearenses. O racismo de verdade tem que ser banido do futebol e do mundo todo. Mas nós devemos fazer isto pq realmente aprendemos que isto é uma coisa importante e não da boca pra fora.

Não adianta comentar hoje “que feio o que aquele argentino do Grêmio fez ontem” e ao ver uma pessoa atravessando a rua fora da faixa gritar “sai da frente negão”!

Fim ao racismo, fim a hipocrisia.

Não ao Racismo!

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