A você aí que acha que o Google inventou essa história de ganhar dinheiro com anúncios na Internet, apresento a Pointcast.
A Pointcast inventou uma picaretagem em torno da chamada tecnologia push. O sujeito baixava um software cliente, selecionava alguns canais de informação e o servidor da PointCast fazia o upload das notícias para o computador do usuário, em freqüencias programáveis. O conteúdo era exibido na proteção de tela, ou no próprio Pointcast Browser, junto com anúncios. Hoje esse tipo de coisa é simplesmente conhecido como feed. Tecnicamente o feed não é push, é pull, pois o cliente RSS é que faz o download das informações. No caso da PointCast eles faziam o upload. Quem acha que isso não faz a menor diferença prática tem total razão. O sistema da PointCast, curiosamente não utilizava a Web, o que foi um diferencial no começo mas seria um dos motivos para seu fracasso.

Para os que eventualmente não lembrem, a PointCast foi incensadíssima. Começou a operar em Fevereiro de 1996, e ao fim do ano já tinha 1,5 milhão de usuários, US$5 milhões em receita e vários anunciantes. Pra ter uma idéia do nível do hype, quando a empresa participou de sua primeira feira de negócios, a Internet World em 1997, os responsáveis pela engenharia da feira tiveram que fechar o estande da PointCast, porque as multidões que o visitavam poderiam colocar em risco a estrutura. ( Que fila pra comprar IPhone, que nada! ). A Microsoft também foi influenciada, tanto através de um acordo para fornecer o cliente PointCast junto com o Internet Explorer, quanto na criação de seu próprio sistema de canais, o Active Channel, que inclusive vinha embutido no Windows 95c. Em Janeiro de 1997 a PointCast recebeu uma proposta de compra na News Corp., de Rupert Murdoch, no valor de US$450 milhões. Cavalo encilhado não passa duas vezes na frente do indivíduo, mas a típica arrogância.com fez com que a PointCast não montasse nessa montanha de dólares.
E aí começou a queda. O uso de banda do sistema PointCast era imenso, para a época, onde, mesmo nos Estados Unidos, a forma mais popular de conexão era via modem 56kbps. O software proprietário também era muito menos flexível do que a Web, que então já começava a se tornar uma plataforma para aplicações diversas. Troca de CEOs, algumas barcas furadas, projetos não concretizados, um IPO que não aconteceu e em Maio de 1999 a PointCast foi vendida por US$7 milhões de dólares. O serviço ainda ficou no ar até o ano 2000.
A marca PointCast já pertenceu a AOL, e agora é uma companhia autônoma. No site http://www.pointcast.com, a decadência é clara. O que está no ar é uma aplicação em flash, que parece ser uma simulação de como seria um serviço de notícias WEB para iPhones e iPod Touchs.
Links interessantes:
PointCast: The Rise and Fall of an Internet Star: http://www.businessweek.com/1999/99_17/b3626167.htm
A Guerra do Empurrão:http://info.abril.com.br/edicoes/137/arquivos/3871_1.shl
Push: http://info.abril.com.br/edicoes/136/arquivos/3887_1.shl
CNN on your desktop: http://www.scripting.com/davenet/1996/01/14/cnnonyourdesktop.html
Obs.: Esse último link demonstra perfeitamente o deslumbramento da época com a picaretagem da PointCast.
Olá, entrei no link de seu blog através do Meio Bit. Gostei bastante, vou ler as outras postagens.
O interessante é que eu já tinha ouvido falar da PointCast…incrível como a combinação de fatores que você citou podem levar uma empresa do topo até o fundo!
Abraços,
Rapha – Papos de Boteco
http://www.paposdeboteco.com
Raphael
julho 27th, 2008
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betazeta
julho 12th, 2010